
Quem chega à noite na casa do dentista Carlos Olegário, estranha. Enquanto sua esposa arruma a mesa, é ele quem cuida do jantar da família. O cardápio é bem variado e refinado. Nos finais de semana, as receitas são ainda mais sofisticadas.
“Sempre gostei de comer. Mas fui criado à moda antiga, em que o homem ficava afastado da cozinha. De uns tempos para cá, porém, passei a me preocupar com a alimentação e a dedicar um tempo para isso. Como minha esposa trabalha muito, comecei a inventar receitas para o dia-a-dia e a chamar amigos e familiares para experimentá-las”, conta o dentista.
O sucesso foi tanto que outros amigos começaram a fazer o mesmo. “Hoje temos uma espécie de ‘Clube da Gula’. A cada mês, um dos amigos do clube oferece um jantar com uma nova receita. A regra é não usar nada industrializado (como molho de tomate). Acho que o ato de cozinhar é uma forma de agradar a quem amamos. É uma mágica que une as pessoas”, afirma Carlos.
Entre a sociologia e o fogão
O sonho de ter um restaurante e cozinhar profissionalmente faz parte dos planos do sociólogo Sérgio Estevez. Desde os 13 anos, incentivado pela mãe que queria ver os filhos independentes, Sérgio aventura-se na cozinha preparando desde um cardápio trivial até os pratos típicos da Galícia, região da Espanha de origem de sua família. “Minha mãe me ensinou a cuidar dos alimentos, a usar o fogo e os muitos detalhes importantes de uma boa cozinha”, afirma.
Hoje, Sérgio prepara desde a empanada espanhola, que aprendeu a fazer em casa, até receitas com carnes, aves, peixes e frutos do mar que foi adicionando ao seu menu. “Gosto de tudo e faço o que me dá vontade. Mas os meus pratos preferidos são os risotos, como o arroz de bacalhau e a paella, que oferece inúmeras possibilidades - você pode inventar!”, sugere.
Ocupado com pesquisas de opinião e estatísticas, matéria-prima de sua profissão, Sérgio abandonou temporariamente os planos de se tornar um chef de cozinha, mas não a paixão pela culinária, que ele exerce sempre que possível, para a família e amigos. “O prazer de cozinhar não é suprir uma necessidade básica, mas oferecer um momento especial às pessoas. É o ritual, que envolve alquimia e experimentação. A degustação nos faz sonhar e, muitas vezes, voltar à infância, guiados por cheiros e sabores que vivem em nossa memória”, ensina Sérgio.
Os grandes chefs
São homens como Carlos e Sérgio que vêm procurando os cursos de gastronomia ministrados por grandes profissionais da cozinha.
O chef francês Emmanuel Bassoleil, naturalizado brasileiro, é responsável pela gastronomia dos badaladíssimos Hotel Unique e Restaurante Skye, em São Paulo. Ele diz que os homens são maioria nos cursos. “Na Europa há uma preocupação grande em treinar o paladar das crianças e ensiná-las a preparar os alimentos no dia-a-dia, tanto meninos como meninas. No Brasil, essa atitude está começando a crescer. E os homens têm deixado o preconceito de lado e investido mais nessa arte mágica e sedutora, que é a gastronomia”, avalia Bassoleil.
O chef proprietário do restaurante La Pasta Gialla, Sergio Arno, atualmente empresário e proprietário de onze restaurantes espalhados pelo Brasil, figura no cenário gastronômico brasileiro desde 1987, quando abriu a primeira versão de seu estabelecimento, obtendo sucesso e reconhecimento internacional. Desde criança, Arno costumava ajudar sua mãe na cozinha. Considerado “mau” aluno para os padrões educacionais da época, acabou seguindo sua paixão e o dom pela culinária, tornando-se um vitorioso na profissão.
Arno acredita que, hoje, o Brasil tem dado mais atenção para a formação de chefs. Há uma série de cursos para quem se interessa por gastronomia. E a procura de homens por esses cursos tem crescido bastante. Quer experimentar? Entre nos sites abaixo e conheça algumas escolas de gastronomia.
Escola Wilma Covesi de Cozinha (http://www.wkcozinha.com)
Boa mesa (http://www.casaboamesa.com.br)
Escola das Artes Culinárias Laurent (http://www.laurent.com.br)